Física Quântica e o
Princípio Inteligente do Universo


Adolfo Guimarães

Vai ficando obsoleta a maneira convencional de analisar a consciência, considerando-a como um resultado secundário (epifenômeno) da atividade cerebral


A física quântica, em seu aspecto teórico, ultimamente tem feito cogitações interessantíssimas. Uma delas, por exemplo, é a reavaliação dos conceitos vigentes de consciência, ou atividade cerebral.

Em algumas de suas novas conceituações, a consciência não depende do cérebro, mas, ao contrário, é o cérebro que depende da consciência, o que já inverte o ponto de vista materialista (newtoniano), virando-o de cabeça para baixo. De cara, isso faz com que a gente repense nossa mofada noção de realidade.
No esquema da árvore materialista os galhos, na verdade, são a raiz

Vai ficando obsoleta a maneira convencional de analisar a consciência, considerando-a como um resultado secundário (epifenômeno) da atividade cerebral.

Aquela história de que tudo começa com partículas produzindo átomos, átomos produzindo moléculas, moléculas produzindo neurônios, neurônios produzindo o cérebro e o cérebro produzindo consciência, tem transformado essa mesma consciência em um objeto — quando, na verdade, segundo esses novos estudos, tudo pode ser exatamente o contrário.

A consciência seria a fonte organizadora e manipuladora dessas partículas.

O princípio inteligente do universo

Em 1857 as comunicações espíritas já haviam invertido a tese materialista quando revelavam a Allan Kardec que “o espírito é o princípio inteligente do universo”.

Respondendo às questões do codificador, revelavam muito mais. Afirmavam que, embora a matéria seja o liame que escraviza o espírito, este exerce sua ação sobre ela, tornando-a seu instrumento de manifestação.

E aqui fica bem claro: a consciência, em si mesma, é independente em sua realidade transcendente, embora, para manifestar-se na realidade física, necessite dos elementos interativos correspondentes com essa realidade.

A Inteligência Suprema

Algumas mentes arrojadas da física moderna chegam a afirmar que o universo é autoconsciente. Afirmam que mesmo o mundo material é criado por nós momento a momento. E o universo inteiro é criado para que a consciência possa se ver na criação.

Ressaltam a importância da criatividade e do amor como forças unificadoras que nos levam de volta à unidade, uma vez que ora nos encontramos desunificados da realidade maior, fundamental e transcendente em função de nossos condicionamentos.

É o jeito que os cientistas estão achando para expressar e, sem querer, confirmar aquela excepcional definição dada pelos espíritos, a respeito do Criador, contida na primeira questão de O Livro dos Espíritos, quando estes proclamaram a Allan Kardec: “Deus é a Inteligência Suprema do Universo”, a fonte geradora de todas as coisas.

“O universo é um todo de energias dinâmicas expressando o pensamento do Criador”

Os espíritos têm afirmado que o meio sutil em que o universo se equilibra é algo que pode ser descrito como fluido ou energia cósmica, uma espécie de “hálito divino”, uma força inabordável que sustenta e estrutura toda a criação. Dizem que esse fluido elementar seria a “base mantenedora de todas as associações da forma nos domínios inumeráveis do Cosmo, do qual conhecemos o elétron como sendo um dos corpúsculos-base, nas organizações e oscilações da matéria”, o que nos leva a idear o universo como um “todo de forças dinâmicas, expressando o pensamento do Criador”.

“Isso que chamais molécula está longe da molécula elementar”, diziam os espíritos a Allan Kardec, em 1857.

O pensamento imensurável do Criador sustenta e potencializa o pensamento mensurável da criatura

Assim, a física moderna, ao teorizar que o universo é autoconsciente, tenta, a seu modo, focar nossa embotada atenção para o entendimento de que, nos fundamentos da criação vibra o pensamento imensurável da Unidade Primordial ou, como dizem os espíritos, da Inteligência Suprema.

É sobre esse plasma divino proveniente da Inteligência Suprema, segundo os espíritos, que o pensamento mensurável da criatura vibra, a constituir-se e afirmar-se no vasto oceano de força mental em que as potencialidades do espírito se manifestam.

Diante disso, nossos estreitos conceitos de “fora” e “dentro”, de “maior” e “menor”, “tangível” e “intangível”, “micro” e “macro”, “puro” e “impuro”, “inferior” e “superior”, “verdadeiro” e “falso” sobram-nos esparsos e ineficientes, apenas como meras metáforas para nossa vã tentativa de apreender a vastidão do poema cósmico, magistral e inspiradamente concebido pelo incomparável Poeta Celestial!

(Artigo reproduzido do site Consciência Espírita, com a devida autorização)