Assuntos Polêmicos

Octávio Caúmo Serrano


Jamais a ciência se interessou tanto pelos fenômenos; de todo tipo

Há tempo que os programas de televisão, os jornais e as revistas dão ênfase aos fenômenos que até há pouco eram tratados como fantasia de mentes desocupadas ou perturbados espirituais.

Com a descoberta da codificação genética e a célula-tronco, que realiza prodígios que assombra os doutores, sem que eles consigam explicá-los, parece que as descrenças diminuíram, porque as evidências, agora, falam mais alto.

Uma pena que ainda se tente defender o aborto como um direito da mulher à posse de seu corpo. Esse mesmo corpo que o Espiritismo nos explica que é emprestado e serve basicamente para o desenvolvimento espiritual. Usá-lo mal é atrasar-se. Mas o mundo não acredita nem compreende. Já disse certo poeta: “Em tudo isso o que me espanta, ó louco, é que do corpo que é nada cuidas tanto e da alma que é tudo cuidas pouco.”

Na sua sabedoria embrionária, o cientista imagina ter o domínio da vida e tudo conhecer. Com base em fragmentos, torna-se o dono do saber e tudo relata e tudo realiza com base na sua ciência, que ele supõe conter toda a verdade.

Esse raciocínio criou a pena de morte legalizada. Uma delas a eutanásia, sob a desculpa de ser uma caridade em favor do sofredor que padece doença irreversível.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, item 28, Kardec pergunta aos Espíritos como segue:
“Um homem agoniza, preso de cruéis sofrimentos. Sabe-se que o seu estado é sem esperanças. É permitido poupar-lhe alguns instantes de agonia abreviando-lhe o fim?”

Quem responde é o Espírito São Luiz, em Paris, 1860:

“Mas quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode, Ele, conduzir o homem até à beira da sepultura para em seguida retirá-lo com o fim de fazê-lo examinar-se a si mesmo e modificar-lhe os pensamentos? A que extremos tenha chegado um moribundo, ninguém pode dizer com certeza que soou a hora final. A ciência, por acaso, nunca se enganou nas suas previsões?”

Recentemente, nos Estados Unidos, tivemos dois episódios distintos que provam a assertiva de São Luiz: Uma mulher foi morta for inanição, sob a desculpa de que estava com morte cerebral irreversível. Um mês depois, um bombeiro saiu do coma após quase uma década de hospitalização. Voltou com toda lucidez e quis saber da família. Não será uma resposta do céu, quase que instantânea, para provar que os cientistas não conhecem todas as leis? A única explicação que eles deram foi: Ah, mas eram situações diferentes...

Como já vivemos na prática um episódio semelhante, pedimos licença ao leitor para contar-lhe.
Tínhamos um parente em coma, resultado de uma peritonite. Segundo o médico, todo o organismo havia se contaminado de matérias fecais e o quadro era irreversível. Infecção generalizada! Como o médico viajaria naquele fim se semana, deixou o atestado de óbito assinado, já com a causa mortis, para que o hospital preenchesse o dia e hora do desencarne.

Um sobrinho desse nosso parente, que também era médico, foi visitá-lo. Diagnóstico: está liquidado. Tem até a halitose da morte.

Quatro horas da madrugada, estávamos de plantão um cunhado e eu, quando o moribundo pediu água, fazendo graça, como era seu hábito de pessoa alegre. Virando-se para nós, ele disse: - Poxa, eu devia estar mal. Não me lembro de nada do que me aconteceu!

Quando o sobrinho médico telefonou no dia seguinte para saber notícias, foi informado que o paciente estava bem. Como bem?!, perguntou o médico. Isso eu quero ver de perto...

Ao ser saudado pelo”morto”, segundo o diagnóstico dos sábios doutores, ele se virou para o tio e disse: - Tio, você desmoralizou a medicina! O homem que tinha 80 anos viveu até os 85, bastante saudável e faleceu de enfermidade completamente diferente.

Outro assunto interessante foi divulgado pelo programa Fantástico da Rede Globo no domingo 15 de maio e envolvia as reações dos transplantados. Alguns alegavam que passaram a ter sintomas e gostos que não cultivavam antes de receber o órgão novo. Ouvidos alguns cientistas (médicos e psicólogos), disseram eles que era impossível que isso ocorresse.  Só podia ser alucinação provocada pelos remédios ou algo similar.

Em nosso livro Modo de Ver, da Casa Editora O Clarim, editado em julho de 1998, falamos de Assuntos polêmicos, à página 41.

Entre eles, abordamos a opinião de um confrade em jornal espírita que afirmava ser a transferência de sentimentos e comportamento ao transplantado impossível, pois o coração (órgão a que ele se referia) era apenas físico e material, sendo que todo o arquivo do conhecimento, do sentimento e do comportamento está no espírito.

Mais adiante, porém, o escritor se contradisse quando afirmou que se o espírito doador fosse apegado à matéria, egoísta, e a doação foi contra a sua vontade, poderia haver rejeição como ocorre em alguns pacientes transplantados. Mas se ele afirmou que é apenas órgão físico, como se dariam a influência do espírito e a rejeição?

No livro, dizemos que deve haver algo mais a ser estudado. Vale lembrar que pela psicometria, o conhecimento do presente, do passado e da personalidade, pode ser obtido pelo contato com objetos pertencentes a uma pessoa. Se os objetos materiais, supostamente inanimados, guardam as vibrações e a história do seu dono, o que não acontecerá com os órgãos físicos ao qual somos muito apegados?
O Dr. Rhodes Buchanan, médico americano, foi o primeiro a se interessar pelo fenômeno, quando em 1849, em suas experiências, percebeu que ao colocar objetos na fronte de certos sensitivos eles descreviam cenas relativas às épocas e ao próprio caráter do dono desses objetos.

É imprudente, portanto, garantir que o órgão físico não exerça qualquer influência no comportamento de seu novo dono.

Depois de a ciência comprovar a cada dia que menos  sabe do que imagina que sabe, seria prudente que ela estudasse mais e tivesse menos pressa em negar. Que ela admitisse que leis novas surgem todos os dias para ensinar os que se consideram sábios. As revelações chegam à medida que o homem se capacita a recebê-las. E, para tanto, a humildade é fator preponderante. O orgulho e a arrogância são obstáculos para que o homem se deixe ensinar e tenha acesso aos recados divinos.


Artigo publicado na Revista Internacional de Espiritismo, edição de julho de 2005 e reproduzido com autorização do autor