Pesquisa:
E. Mollo
Porque assim
é como um homem que, ao ausentar-se para bem longe, chamou os
seus servos e lhes entregou os seus bens.
E deu a um
cinco talentos, e a outro dois, e a outro deu um, a cada um
segundo a sua capacidade, e partiu logo.
O que recebera
pois cinco talentos, foi-se, e entrou a negociar com eles e ganhou
outros cinco.
Da mesma sorte
também o que recebera dois ganhou outros dois.
Mas o que
havia recebido um, indo-se com ele, cavou na terra, e escondeu ali o
dinheiro de seu senhor.
E passando
muito tempo, veio o senhor daqueles servos e chamou-os a contas.
E chegando a
ele o que havia recebido os cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco
talentos dizendo: Senhor, tu me entregaste cinco talentos, eis aqui
tens outros cinco mais que lucrei.
Seu senhor lhe
disse: Muito bem servo bom e fiel, já que foste fiel nas coisas
pequenas, dar-te-ei a intendência das grandes; entra no gozo de
teu senhor.
Da mesma sorte
apresentou-se também o que havia recebido dois talentos, e
disse: Senhor, tu me entregaste dois talentos, eis aqui tens outros
dois que ganhei com eles.
Seu senhor lhe
disse: Bem está, servo bom e fiel, já que foste fiel nas
coisas pequenas, dar-te-ei a intendência das grandes; entra no
gozo de teu senhor.
E chegando
também o que havia recebido um talento, disse: Senhor, sei que
és um homem de rija condição; segas onde
não semeaste, e recolhes onde não espalhaste; e temendo
me fui, e escondi o teu talento na terra; eis aqui tens o que é
teu.
E respondendo,
seu senhor lhe disse: Servo mau e preguiçoso sabias que sego
onde não semeei, e que recolho onde não tenho espalhado;
devias logo dar o meu dinheiro aos banqueiros, e, vindo eu, teria
recebido certamente com juro o que era meu.
Tirai-lhe,
pois o talento, e dai-o ao que tem dez talentos; porque a todo o que
já tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância;
e a ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que
parece que tem.
E ao servo
inútil lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá
choro e ranger de dentes.
- moeda antiga
usada no tempo do Cristo na
Grécia e em Roma;
- os dois
primeiros servos, que receberam cinco e dois talentos respectivamente,
representam os homens que sabem cumprir bem seus deveres na terra,
desenvolvendo os dons que a Misericórdia do Pai lhes concedeu e,
o servo que recebeu um talento e o enterrou deixando-o improdutivo,
representam os homens que com medo de enfrentar todas as vicissitudes
da vida, se escondem na ociosidade ou se deixam dominar por outras
criaturas, perdendo a oportunidade de multiplicar seu único
talento, que é o melhor momento que o Pai lhes concede a fim de
desenvolverem suas potencialidades intelectuais e espirituais.
- o homem que
as distribui é Deus;
- os servos
são os espíritos que encarnam na terra;
- ao
encarnar-se, segundo o processo que realizou, cada espírito traz
uma tarefa a cumprir em benefício de seus semelhantes;
- a uns
é concedida uma tarefa de repercussão ampla;
- outros
apenas no seio da família;
- mas todos
trazem uma tarefa a cumprir;
- os homens
que cumprem bem suas tarefas na terra são os que multiplicam os
talentos e os que deixam de cumpri-la são os que enterram os
talentos.
a)
talento SAÚDE
Respeitando
a SAÚDE, adquiriremos o TEMPO
b) talento RIQUEZA
Espalhando
a RIQUEZA, aliciaremos a GRATIDÃO
c) talento HABILIDADE
Usando a
HABILIDADE, receberemos a ESTIMA
d) talento DISCERNIMENTO
Movimentando
o DISCERNIMENTO, conquistaremos o EQUILÍBRIO
e) talento AUTORIDADE
Distribuindo a AUTORIDADE de maneira
equilibrada, ganharemos a ORDEM
a) talento INTELIGÊNCIA
Elevando a INTELIGÊNCIA, obteremos o TRABALHO
b) talento PODER
Submetendo o PODER a sábia vontade do
Pai, atrairemos o PROGRESSO
- são
as dificuldades que se encontram pelos caminhos da vida e, que o
desânimo ocasiona no viajor desatento: a preguiça, o medo;
de trabalhar, de servir, de fazer amizades, de desapontar, etc.
ocasionando a SUBSERVIÊNCIA, que também
é um grande empecilho na multiplicação deste
talento, e que é o motivo de desenvolvermos
está exposição.
- servilismo, bajulação, adesão, anuência,
condescendência servil,
submissão voluntária a alguém ou alguma coisa.
-
através da bajulação; por não ter coragem
de mostrar os pontos de vistas e os conhecimentos próprios, por
medo de ser criticado;
-
através da submissão voluntária, por não
ter coragem de enfrentar (no bom sentido)(*) com sua maneira de pensar
e agir;
- o
companheiro ou a companheira;
- o pai ou a
mãe;
- o
irmão ou a irmã;
- seus
superiores no seu local de trabalho;
- o enfrentar
a vida sozinho, etc. e etc.
(*) Esse
enfrentamento, não significa que
devemos ofender alguém, e sim, de mostrar - através de
diálogos ou exemplos - que esse alguém, com suas
atitudes, está impedindo que outras criaturas desenvolvam seus
talentos, mesmo tendo, às vezes, de sermos enérgicos, e
essa energia não pode ser ofensiva, mas educativa.
- a
oportunidade de corrigir a diminuição humilhante do sexo
feminino, típica das sociedades patriarcais;
- o
desenvolvimento de uma empresa, um estado, um país, etc., por
não ter a devida coragem de impor uma idéia, uma atitude;
- o
desenvolvimento das potencialidades mentais;
- o não
cumprimento dos próprios desígnios do Pai;
- o conceito
igualitário absoluto é impossível no mundo, dada a
heterogeneidade das tendências, sentimentos e
posições evolutivas no círculo da individualidade.
A FRATERNIDADE, PORÉM, É A LEI DA
ASSISTÊNCIA MÚTUA E DA SOLIDARIEDADE COMUM, SEM A QUAL
TODO PROGRESSO, NO PLANETA, SERIA PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL.
- A
fraternidade pode traduzir-se por cooperação sincera
legítima, em todos os trabalhos da vida, e em toda
cooperação verdadeira, o personalismo não pode
subsistir, salientando-se que quem coopera cede sempre alguma coisa de
si mesmo, dando o testemunho de abnegação, sem a qual a
fraternidade não se manifestaria no mundo, de modo algum.
- Amar a
nós mesmos não será a vulgarização
de uma nova teoria de auto-adoração. Para nós
outros, a egolatria já teve o seu fim, porque o nosso problema
é de iluminação íntima, na marcha para
Deus. Esse amor, portanto, deve traduzir-se em esforço
próprio, em auto-educação, em
observação do dever, em obediência às leis
de realização e de trabalho, em perseverança na
fé, em desejo sincero de aprender com o único Mestre, que
é Jesus.
- Quem se
ilumina, cumpre a missão da luz sobre a Terra. E a luz
não necessita de outros processos para revelar a verdade,
senão o de irradiar espontaneamente o tesouro de si mesma.
- O amor
é a lei própria da vida e, sob o seu domínio
sagrado, todas as criaturas e todas as coisas se reúnem ao
Criador, dentro do plano grandioso da unidade universal.
- No caminho
dos homens é ainda o amor que preside a todas as atividades da
existência em família e em sociedade.
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O estado de
natureza é a infância da
Humanidade e o ponto de partida do seu desenvolvimento intelectual e
moral. Sendo perfectível e trazendo em si o gérmen do seu
aperfeiçoamento, o homem não foi destinado a viver
perpetuamente no estado de natureza, como não o foi a viver
eternamente na infância. Aquele estado é
transitório para o homem, que dele sai por virtude do progresso
e da civilização. A lei natural, ao contrário,
rege a Humanidade inteira e o homem se melhora à medida que
melhor a compreende e pratica.
Sendo o progresso
uma condição da
natureza humana, não está no poder do homem opor-se-lhe.
É uma força viva, cuja ação pode
ser retardada, porém não anulada, por leis humanas
más. Quando estas se tornam incompatíveis com ele,
despedaça-as juntamente com os que se esforcem por
mantê-las. Assim será, até que o homem tenha posto
suas leis em concordância com a justiça divina, que quer
que todos participem do bem e não a vigência de leis
feitas pelo forte em detrimento do fraco.
O homem
não pode conservar-se indefinidamente
na ignorância, porque tem de atingir a finalidade que a
Providência lhe assinou. Ele se instrui pela força das
coisas. As revoluções morais, como as
revoluções sociais, se infiltram nas idéias pouco
a pouco; germinam durante séculos; depois, irrompem subitamente
e produzem o desmoronamento do carunchoso edifício do passado,
que deixou de estar em harmonia com as necessidades novas e com as
novas aspirações.
Nessas
comoções, o homem quase nunca
percebe senão a desordem e a confusão momentâneas
que o ferem nos seus interesses materiais. Aquele, porém, que
eleva o pensamento acima da sua própria personalidade, admira os
desígnios da Providência, que do mal faz sair o bem.
São a procela, a tempestade que saneiam a atmosfera, depois de a
terem agitado violentamente.
Há duas
espécies de progresso, que uma a
outra se prestam mútuo apoio, mas que, no entanto, não
marcham lado a lado: o progresso intelectual e o progresso moral. Entre
os povos civilizados, o primeiro tem recebido, no correr deste
século, todos os incentivos. Por isso mesmo atingiu um grau a
que ainda não chegara antes da época atual. Muito falta
para que o segundo se ache no mesmo nível. Entretanto,
comparando-se os costumes sociais de hoje com os de alguns
séculos atrás, só um cego negaria o progresso
realizado. Ora, sendo assim, por que haveria essa marcha ascendente de
parar, com relação, de preferência, ao moral, do
que com relação ao intelectual? Por que será
impossível que entre o dezenove e o vigésimo quarto
século haja, a esse respeito, tanta diferença quanta
entre o décimo quarto século e o século dezenove?
Duvidar fora pretender que a Humanidade está no apogeu da
perfeição, o que seria absurdo, ou que ela não
é perfectível moralmente, o que a experiência
desmente.