Antes e Depois de
João Batista




“A Lei  e os profetas duraram até João.   Desde então, é anunciado
o Reino de Deus e todo o homem emprega forças para entrar nele”.

- Jesus. (Lc., 16:16.)


“ A Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo”.

- João, 1:17.)


Rogério Coelho


Durante Sua nobre e singular missão na Terra, Jesus referiu-Se a João Batista (Seu primo) em diversas oportunidades, realçando-lhe o cariz de um verdadeiro marco que assinalou o final de uma era e o começo de uma outra...   Jesus chega mesmo a dizer  que “entre os nascidos de mulher, não há maior profeta do que João Batista”.

Quando o Meigo Rabi Se utiliza da expressão “nascidos de mulher”, Ele quis dizer o seguinte: “Entre os Espíritos que “re-encarnaram” na Terra, não houve profeta (médium) maior do que João Batista”.  E, como sempre, o Mestre acertou em cheio, porque Ele (Jesus) que foi o Maior dos maiores não “re-encarnou” na Terra, mas simplesmente “encarnou”.  Se Jesus tivesse “re-encarnado”, a Sua frase com relação a João estaria incorreta, uma vez que Maior que Ele nunca houve e tampouco haverá.  Mas, como a reencarnação já não faz mais parte do processo evolutivo dos Espíritos Puros, se por um motivo muito especial um Espírito Puro quiser corporificar-se na Terra, é evidente que tal Espírito não estará “re-encarnando” mas, simplesmente “encarnando”, tal como foi o caso especialíssimo de Jesus, mas sem embargo, obedecendo a todo o processo biológico normal que envolve um nascimento na Terra.

Assim, assiste toda razão a Jesus quando Ele afirma, com muita convicção, ser João Batista o maior profeta nascido (re-encarnado) na Terra, porque João Batista ainda não era, na ocasião do seu nascimento, um Espírito Puro, mas um Espírito Superior.

A frase de Jesus, em epígrafe, registrada por Lucas (16:16), é de capital importância, pois segundo Jesus, toda a Lei e os profetas anteriores a João Batista, “perderam a validade”, “duraram”, portanto, foram aquelas leis “revogadas” no ato do nascimento do profeta João, porque daí em diante, com o advento do Cristo, outra era estava começando, ou seja, a era da “graça e da verdade”, para sermos textualmente rigorosos.
Portanto, os aficionados do Velho Testamento na base do “magister dixit” precisam rever suas posições, uma vez que, se insistem nas Velhas Escrituras como força de lei,  precisam estar conscientes de que elas já foram revogadas por Jesus.

É como dizia o grande (sem lá modéstia alguma) Vate português: “Cessa tudo que a antiga musa canta, que um valor mais alto de alevanta”.

Esse “valor mais alto”, no caso em tela, é o Evangelho de Jesus que contém “a graça e a Verdade”.
Portanto, não se pode levar a sério, certos “estudiosos e entendidos” que afirmam do alto de suas “sabedorias” que Moisés proibiu o Espiritismo,  mesmo porque a palavra “Espiritismo” é um neologismo criado por Kardec em 1857, para evitar causas de anfibologia.    O mesmo procedimento devemos ter com relação ao intercâmbio com os injustamente chamados “mortos”.  Se fosse proibido conversar com os Espíritos, Moisés que proibiu tal intercâmbio, deveria ter dado o exemplo, ficando quietinho na sepultura e não “saindo de lá” para conversar com Jesus e Elias (outro defunto) no Monte Tabor, encontro esse testemunhado por Pedro, João e Tiago (perplexos por sinal).

Assim, todas as Escrituras datadas em épocas anteriores ao nascimento de João Batista, perderam a validade e a força de Lei e outro tempo se alevantou com a entrada de Jesus no proscênio terrestre iniciando a era da Verdade que mais tarde o Espiritismo viria ratificar e consolidar...  Por isso foi que Jesus anunciou, para o futuro, a vinda de um outro Consolador.   Eis, portanto, o esboço do perfil do nosso atual contexto evolutivo desenhado por Jesus:

1º. – Cancelou tudo até João Batista;

2º. – Anunciou o Reino dos Céus;

3º. – Deixou claro a necessidade do esforço pessoal para entrar nesse Reino;

4º. – Profetizou a vinda do “outro Consolador”.

Jesus, mais que ninguém, sabia que os ecônomos infiéis deturpariam Sua Mensagem de Luz; daí dizer claramente que depois, mais tarde, o “outro Consolador” viria fazer o “acabamento final” de Sua obra.   
Há que se prestar muita atenção nas palavras de Jesus, a fim de que não venhamos a estar levando em consideração, profecias e regulamentos caídos em desuso, ou seja, com validade vencida...  

O Mestre Maior sintetizou toda a História até João e após João com o célebre mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

A Doutrina Espírita, afirmando que “fora da caridade não há salvação”, está em gênero, grau e número em total harmonia com os Planos Divinos.

Nossa alforria espiritual não cairá de “mão-beijada” da cerúlea constelada esfera, mas será o corolário de nossos esforços para entrarmos no Reino dos Céus.



(Artigo publicado originalmente na Revista Internacional de Espiritismo, Ano LXXX, No 2, Matão, Março de 2005 e aqui reproduzido com autorização do autor)